Aquele homem no palco
os cabelos brancos e longos
presos numa borrachinha de elástico
A plateia aplaude enfeitiçada
eu sou difícil de me pegar feitiço
Deus me deu olho que vê tudo
inclusive, coração de plástico
borboletrasnoquintal
Poemas, crônicas e outras invenções
terça-feira, 1 de maio de 2012
sexta-feira, 6 de abril de 2012
Convite de Páscoa
Leiam o poema Maria e os outros e visitem o blog do Rui de Oliveira para ver a postagem contendo as ilustrações que ele fez para a edição ilustrada do livro Ágape, de Pe. Marcelo Rossi.
Obrigada pela visita.
Feliz Páscoa!
Obrigada pela visita.
Feliz Páscoa!
Maria e os outros
Maria saiu pra caminhar sob o céu anil
só resta a Maria caminhar por onde é permitido
sobre o cimento das calçadas
entre prédios, casas e fábricas
por isso Maria vai caminhar na beira do rio
(Maria e centenas de pessoas desconhecidas)
volta e meia encontra uma família de capivaras
e quase sente inveja
hoje Maria encontrou uma árvore com o braço quebrado sobre a calçada
(tão cuidadosas as árvores)
deixou o braço cuidadosamente sobre a calçada
tão educada
não quis atrapalhar o trânsito
nem tirar de casa o senhor da máquina e do guincho
numa sexta-feira santa da paixão de Cristo
só resta a Maria caminhar por onde é permitido
sobre o cimento das calçadas
entre prédios, casas e fábricas
por isso Maria vai caminhar na beira do rio
(Maria e centenas de pessoas desconhecidas)
volta e meia encontra uma família de capivaras
e quase sente inveja
hoje Maria encontrou uma árvore com o braço quebrado sobre a calçada
(tão cuidadosas as árvores)
deixou o braço cuidadosamente sobre a calçada
tão educada
não quis atrapalhar o trânsito
nem tirar de casa o senhor da máquina e do guincho
numa sexta-feira santa da paixão de Cristo
Patos
O pato nada sabe do que sinto ou vejo
pescoço escondido em si mesmo
Ninguém se aborrece com o pescoço do pato
Fosse um homem a parar na beira da rua
com o pescoço dobrado e a cabeça enfurnada em si
Ninguém se aborrece com os patinhos
Ninguém se importa mesmo com os poucos patinhos dentro do cercadinho
Último vestígio do mundo selvagem
pescoço escondido em si mesmo
Ninguém se aborrece com o pescoço do pato
Fosse um homem a parar na beira da rua
com o pescoço dobrado e a cabeça enfurnada em si
Ninguém se aborrece com os patinhos
Ninguém se importa mesmo com os poucos patinhos dentro do cercadinho
Último vestígio do mundo selvagem
sábado, 3 de março de 2012
Puma
salta da árvore um ser pesado
salta e se esconde
um veado?
um bugio?
um puma?
veado não salta de árvore
bugio não se esconde em toca
puma, sim, se esconde dos seres brancos e feiosos
é isso aí, bicho
melhor ficar escondido
melhor ficar na tua
melhor ficar na toca
o homem toca a vida
de outro jeito
dança conforme a música
do patrão
vive em ritmo de produção
não se dê ao trabalho de comer esse animal feioso
pode dar indigestão
salta da árvore um ser pesado
salta e se esconde
um veado?
um bugio?
um puma?
veado não salta de árvore
bugio não se esconde em toca
puma, sim, se esconde dos seres brancos e feiosos
é isso aí, bicho
melhor ficar escondido
melhor ficar na tua
melhor ficar na toca
o homem toca a vida
de outro jeito
dança conforme a música
do patrão
vive em ritmo de produção
não se dê ao trabalho de comer esse animal feioso
pode dar indigestão
sábado, 3 de dezembro de 2011
O primeiro poema da árvore
A árvore ouviu o poema das zebras
escrito por Bernardo Texugo
ouviu misturado ao vento
e ao zumbido de um inseto de olhos pontudos
Ouviu que as zebras iam sorridentes
o canto do vento dizia: vamos, vamos
As árvores não vão a lugar algum
os homens, por exemplo,
andam velozes sobre rodas
as zebras correm contentes
As flores caíram na boca dos crocodilos
flores cor de zebra, galopantes,
mergulharam na boca dos crocodilos
cor de sangue
Duas ou três escaparam
e em algum lugar do mundo
nasceram zebras vermelho-sangue
Poema construído como exercício durante a oficina com Carlito Azevedo, em Jaraguá do Sul. Inspirado no poema "A morte e as zebras" de Bernardo Atxaga. A intenção foi colocar a árvore como protagonista e também usar o elemento da metamorfose, trocando zebras por flores nas sensações da árvore.
escrito por Bernardo Texugo
ouviu misturado ao vento
e ao zumbido de um inseto de olhos pontudos
Ouviu que as zebras iam sorridentes
o canto do vento dizia: vamos, vamos
As árvores não vão a lugar algum
os homens, por exemplo,
andam velozes sobre rodas
as zebras correm contentes
As flores caíram na boca dos crocodilos
flores cor de zebra, galopantes,
mergulharam na boca dos crocodilos
cor de sangue
Duas ou três escaparam
e em algum lugar do mundo
nasceram zebras vermelho-sangue
Poema construído como exercício durante a oficina com Carlito Azevedo, em Jaraguá do Sul. Inspirado no poema "A morte e as zebras" de Bernardo Atxaga. A intenção foi colocar a árvore como protagonista e também usar o elemento da metamorfose, trocando zebras por flores nas sensações da árvore.
domingo, 28 de agosto de 2011
Agosto
Toda essa chuva sobre a cidade
sobre o país e o mundo
não cabe em mim.
Em mim cabe apenas a saudade da primavera
sobre o país e o mundo
não cabe em mim.
Em mim cabe apenas a saudade da primavera
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